No dia 5 de outubro, a nossa Constituição Federal fez aniversário: completou 38 anos.
A Constituição que nasceu em 5/10/1988 ficou conhecida como “Constituição Cidadã”. Não foi por acaso. Depois de mais de duas décadas de regime militar, ela trouxe para o centro do novo pacto constitucional os direitos e garantias fundamentais.
Em matéria ambiental, foi além. Seu artigo 225 pôs o Brasil na vanguarda: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Por isso, um dos aspectos que mais me chamaram a atenção no resultado das eleições do último dia 4 foi o fraco desempenho dos candidatos comprometidos com a questão ambiental. Muitos deles não foram eleitos, inclusive alguns com longa trajetória na defesa do meio ambiente. Ou seja, apesar dos graves problemas ecológicos que enfrentamos, a pauta ambiental não dá voto.
A ONG Observatório do Clima fez um levantamento que mostra que 68,9% dos parlamentares que vão compor a nova Legislatura no Congresso Nacional têm baixa convergência ambiental (isto é, têm um perfil refratário à agenda verde). Na atual composição, que já foi muito danosa ao meio ambiente, o percentual é de 64,1%. O que esperar então dessa nova?
Nessas horas, me vem à mente o alerta da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ações para combater o desmatamento na Amazônia em 30/03/2022: “Deus perdoa tudo, o Ser Humano perdoa às vezes, a Natureza não perdoa nunca”.
Pode ser chover no molhado, mas não custa lembrar: não existe almoço grátis. Mais cedo ou mais tarde, a conta chega. E, quando chegar, não adianta chorar sobre o leite derramado, correr atrás do prejuízo ou tentar tapar o sol com a peneira.
Talvez sejam apenas clichês. O problema é que, nesse caso, a natureza parece disposta a levá-los ao pé da letra.