(Rubem Perlingeiro)
“Fui me confessar ao mar.
– O que ele disse?
– Nada.” (Lygia Fagundes Telles)
O mar responde com a sua sabedoria de milhões de anos.
Afinal, a vida é fluxo e o movimento é o que nos impede de sermos engolidos pela estagnação.
O mar é magnífico, vasto e lindo, mas, ao mesmo tempo, cheio de perigos e surpresas. Assim também é a existência humana: maravilhosa, porém, com ondas de incertezas e correntes que nos levam a lugares desconhecidos. Há momentos em que podemos ficar tranquilos e nos deixar levar pela correnteza. Em outros, somos obrigados a nadar contra a maré.
E aí surge a lembrança de Dory, do desenho animado “Procurando Nemo”, e o seu mantra “continue a nadar”; um mantra que não promete respostas, mas oferece um caminho: não pare, continue a nadar.
Esse ato não é apenas deslocar-se na superfície da água; é permanecer fiel ao movimento da vida. É aceitar que não temos controle sobre todas as correntes, mas ainda podemos escolher a direção do nosso nado. É um convite para confiar que, mesmo sem ver o horizonte, cada braçada nos aproxima de algo novo, talvez até daquilo que precisamos encontrar.
Seguir nadando não é negar o peso das tempestades, mas reconhecer que, se ficarmos imóveis, afundamos. É resistir, mas também fluir. É compreender que a vida, como o oceano, não se detém; e nós, como parte dela, também não devemos nos deter.
Assim, em meio às águas turvas ou ao mar agitado, não precisamos nos desesperar; basta seguir nadando. E, nesse movimento constante, fazer a nossa travessia, sabendo que as águas ficam turbulentas só por um tempo.
E aqui surge outro aspecto interessante. O oceano e a onda não são diferentes. Eles parecem diferentes em certos momentos, porque certas forças fazem com que uma onda seja formada. A onda deve pensar que é realmente grande, deve se sentir o máximo. Mas, logo em seguida, ela se dissolve. Por que se considerar tão importante? Todos nós vamos nos dissolver, uma hora ou outra. Não faz diferença. É temporário. É tudo água, um grande oceano molhado. Uma hora somos de um jeito; depois, não somos mais. É a vida. Mesmo quando pensamos que somos uma onda, somos apenas o oceano.
Continue a nadar.